25 de jul. de 2008
24 de jul. de 2008
CANTO DA PLENITUDE

Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente,e a pele translúcida
há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agradada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar a mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor,com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas,a aguardar-te quando vais,a dar-te regaço de amante e colo de amiga,e sobretudo fora o que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés e mesmo se fogem e retornam,cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.
Texto de Martha Medeiros
22 de jul. de 2008
REFLEXÕES DE UMA MÃE

Queria eu poder definir o que é ser mãe.
Queria eu poder dizer o que é sentir-se mãe.
Queria eu poder ser uma mãe melhor aos meus filhos.
Sempre me pego perguntando. Será que sou uma boa mãe!
Fico analisando todas as minhas ações , minhas falas, meus erros e claro meus acertos.
Mesmo assim, acredito que tenho tentado. Sei que nem sempre acerto, mas é com meus erros que busco melhorar a cada dia.
Tem dias que posso até não concordar com falas, ações, desejos deles. Mas quem sou eu para fazer isso.
Afinal, esquecemos que eles crescem, que eles se tornam independentes, que estão galgando sua própria vida.Mesmo que para isso, sofram, sintam-se sozinhos e muitas vezes tristes. Mas também ao realizarem seus desejos, são fortalecidos por terem conquistado seus ideais de vida.
Tenho observado meus filhos, vejo que muitas vezes poderia ter feito mais, ter falado mais, ter até mesmo me calado mais.
Por outro lado, a preocupação me faz dizer coisas que nem sempre em outros momentos eu teria dito. Quero que eles sintam-se amados, protegidos. Afinal são meus filhos.
Recordo de minha mãe , que muitas vezes tentou me abriu os olhos , falando coisas que no momento eu não entendia ou não queria ouvir, achava que ela estava errada ou se intrometia em minha vida, e neste momento de reflexão, percebo que foi apenas pensando em me tornar uma pessoa melhor.E ela conseguiu. Me sinto sim, uma mulher vencedora, que lutando contra todas as adversidades nesta minha caminhada, cheguei até aqui.
Pensando assim, sei que tudo que fizer será sempre pensando em dar-lhes o melhor de mim.
Sei que talvez não venha a ser eu quem lhes proporcione toda a felicidade que eles merecem, mas sei que deixarei minha parcela.
Afinal sou Mãe.
E meu desejo é esse.
21 de jul. de 2008
ALMAS PERFUMADAS

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo
em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.

Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume
que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.

Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos,
Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.
Texto de Carlos Drumond de Andrade
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